21 de ago de 2013

Deu na Imprensa: PSTU tenta reativar onda de protestos no Grande ABC

Matéria publicada no DGABC de 18/08/2013

Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC
 Visando não perder o calor das manifestações no Grande ABC, o PSTU e outros grupos de esquerda organizaram uma plenária ontem, na concha acústica do Centro de Santo André. A pauta inicial foi discutir a adesão de movimentos estudantis e trabalhistas ao protesto do dia 30, data agendada por centrais sindicais pelo Brasil. Antes, porém, os movimentos fecharam cronograma de atos na região, a começar pela visita da presidente Dilma Rousseff (PT) a São Bernardo amanhã.
Os organizadores da plenária esperavam pelo menos 50 pessoas, mas somente 20 compareceram em uma tarde de baixa temperatura. Entre os presentes, estava a ex-prefeiturável de São Bernardo Lígia Gomes (PSTU), além de alas estudantis e sindicais. Marcelo Reina (Psol), ex-postulante ao Paço de Santo André, teve breve aparição no encontro.
Os movimentos sindicais querem que os trabalhadores cruzem os braços no dia 30 pelas manifestações nas ruas. Ato semelhante ocorreu em 11 de julho, mas, desta vez, a intenção é unir estudantes e classe trabalhadora. “A gente quer melhoria no serviço público, menos dinheiro para os bancos, que é política do governo federal e estadual, aumento salarial para várias categorias, salário igual entre homens e mulheres”, justificou Lígia.
Os integrantes dos movimentos sociais também marcaram ações no Grande ABC. Grupos estudantis, MPL (Movimento Passe Livre) e representantes de alas sindicais querem erguer faixas de protestos perante Dilma exigindo melhorias de serviços públicos e reivindicações de cada segmento trabalhista. A presidente estará em São Bernardo para anunciar investimentos do governo federal para demandas levantadas pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC para Mobilidade Urbana.
Durante o aniversário de 460 anos de São Bernardo, celebrado no dia seguinte, manifestantes farão outro ato na Praça Lauro Gomes. No dia 28 haverá mais um protesto, desta vez em meio à sessão da Câmara pelo passe livre no transporte coletivo. Dois dias depois, antes de ir a São Paulo, manifestantes se concentrarão no Terminal Santo André, sem descartar hipótese de bloquear o fluxo dos ônibus.
A tentativa dos organizadores é não permitir o enfraquecimento dos questionamentos das ruas aos governantes da região. Durante a onda de protestos nas principais cidades do Brasil, o Grande ABC também foi influenciado por manifestações em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá. Contudo, o clima das ruas esfriou em agosto.
Apesar da tentativa de reativar os protestos, ficou claro no encontro a dificuldade em mobilizar os trabalhadores para irem às ruas. Uma das razões levantadas por integrantes dos grupos é a ligação de diretorias sindicais com governantes. A CUT (Central Única dos Trabalhadores), por exemplo, mantém fortes laços com PT, há dez anos no Palácio do Planalto.
Outro empecilho vem dos professores. A Apeoesp (Sindicato dos Professores) não garante paralisação total da categoria no dia 30, que entrou em greve entre abril e maio. Já os docentes da UFABC (Universidade Federal do ABC) ainda não sinalizaram adesão.
À LÁ SÉRGIO CABRAL
Durante a reunião, também foram colocadas em discussão manifestações nas residências dos prefeitos da região. O único que teve o nome citado foi o chefe do Paço de São Bernardo, Luiz Marinho (PT). A inspiração vem do Rio de Janeiro, onde grupos contrários ao governador Sérgio Cabral (PMDB) protestaram perante sua residência. Acuado e pressionados por vizinhos a deixar o prédio, o peemedebista chegou a apelar pelo fim dos atos.