22 de dez de 2013

Universidade Federal do ABC ameaça demitir trabalhadores que denunciaram assédio moral

O ano de 2013 será marcado como o ano da onda de protestos em nosso país, mas também como o ano da repressão aos que lutam. Em São Paulo, Rio de Janeiro e por todo o país as prisões de militantes nas manifestações ocorreram sem escrúpulos, isso para não mencionar a violência da PM no decorrer dos atos.

No nosso dia-a-dia cotidiano pudemos acompanhar os mesmos fenômenos, ao mesmo tempo que as pessoas não estão mais dispostas a aceitar a opressão cotidiana, o governo e os patrões tentam de todas as formas impedir a organização e luta dos trabalhadores e estudantes.

Na Universidade Federal do ABC temos um exemplo muito claro da política do Governo Federal para lidar com as pautas de reivindicações dos trabalhadores. Após uma mobilização num setor contra o assédio moral e condições de trabalho muito ruins, a Universidade abriu um Processo Administrativo Disciplinar (conhecido como PAD, um procedimento que os órgãos públicos devem cumprir para investigar se houve infrações funcionais) para investigar a conduta do chefe assediador, mas também de cerca de um terço do setor que se mobilizava. Foi enviada até denúncia à Polícia Federal e Ministério Público contra os servidores por suposta formação de quadrilha (porque os trabalhadores se organizaram para preparar as ações de sua luta).

Não contente, ao ver que os servidores acusados se apoiavam no Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do ABC (SinTUFABC) e argumentavam que sua ação foi sindical e não uma insubordinação à chefia, a comissão investigadora resolveu incluir os coordenadores gerais do Sindicato como acusados, também por insubordinação. Fica ainda pendente o esclarecimento da comissão sobre a quem o Sindicato deveria se subordinar: às chefias ou aos interesses dos trabalhadores?

Nesse momento, o processo está em sua fase final e dentre os 23 acusados, oito (incluindo seis coordenadores do SinTUFABC) podem ser demitidos e outras punições podem ser aplicadas aos demais. No início de janeiro o processo será finalizado e irá para a decisão final do reitor.

Transformar em crime uma luta sindical como está ocorrendo na UFABC é um profundo ataque ao direito de organização dos trabalhadores, pois tem por trás de si a mensagem: “Lutar não vale a pena, sua situação ficará pior do que está hoje!”. Os trabalhadores que são acusados no PAD têm suas vidas muito abaladas, com prejuízos pessoais, emocionais e financeiros.

É importante considerar o momento que vive nosso país para entender que o problema não é uma ação isolada de uma instituição qualquer. Teremos uma Copa do Mundo em nosso país no próximo ano, e esse ano a Copa das Confederações já foi ameaçada pelos protestos, então o Governo Dilma tem que mostrar que é capaz de manter a população sob controle.

Entre os servidores públicos federais, está sendo articulada nova greve para 2014. Uma greve que pode ser maior e mais forte do que as últimas, por ser organizada no conjunto das categorias que sofrem com a inflação, o aumento do trabalho sem o aumento de recursos e a melhoria das condições de trabalho. O Governo já fez aprovar uma lei que criminaliza greves e manifestações no período da Copa, mas sabe que talvez mesmo isso não seja suficiente, por isso está criminalizando os lutadores desde já. Isso ocorre na UFABC, mas também em outras categorias e com outros dirigentes sindicais. É um problema que atinge todos os trabalhadores, e todos os que lutam em busca que melhores condições de vida e de sociedade.

Por isso, é preciso organizar a luta em solidariedade aos trabalhadores da UFABC como parte da campanha contra a criminalização dos movimentos sociais.

Como apoiar:
  • Participe do ato no dia 9 de janeiro, às 10h no campus Santo André (Av. dos Estados, 5001).
  • Assine a moção online
  • Se você faz parte de alguma entidade ou organização, discuta o problema com a direção e a categoria e enviem uma moção pela entidade para os e-mails reitoria@ufabc.edu.br e sintufabc.org.br.